DIABETES MELLITUS

Fonte: Consenso Brasileiro sobre Diabetes Mellitus 2000

CONCEITO

O DM - Diabetes Mellitus - é uma síndrome de etiologia múltipla, decorrente da falta de insulina e/ou da incapacidade de exercer seus efeitos adequadamente.
Caracteriza-se por:
1. hiperglicemia crônica
2. distúrbios do metabolismo dos carboidratos
3. distúrbios do metabolismo dos lipídios e
4. distúrbios do metabolismo das proteínas


As conseqüências do DM a longo prazo se caracterizam por danos, disfunções e falência dos rins, olhos, nervos, coração e vasos sanguíneos.

A fase inicial é assintomática (sem sintomas). Mantida a hiperglicemia, os sintomas clássicos aparecem como: perda inexplicada de peso, polidipsia (sede e ingestão de muito líquido) e poliúria (aumento do número de micção).

CLASSIFICAÇÃO

a) DIABETES TIPO I - ocorre destruição das células beta-pancreáticas, geralmente ocasionando deficiência absoluta de insulina, de natureza auto-imune ou idiopática.
b) DIABETES TIPO II - varia de uma predominância de resistência insulínica, com relativa deficiência de insulina, a um defeito predominantemente secretório, com ou sem resistência insulínica.
c) DIABETES GESTACIONAL
d) OUTROS TIPOS ESPECÍFICOS
    - defeitos genéticos funcionais da célula beta
    - defeitos genéticos na ação da insulina
    - doenças do pâncreas exócrino
    - endocrinopatias
    - induzidos por fármacos e agentes químicos
    - infecções
    - formas incomuns de diabetes imunomediado
    - outras síndromes genéticas geralmente associadas a diabetes

DIAGNÓSTICO                                      

Valores de glicose plasmática (mg/ml) para diagnóstico de Diabetes Mellitus e de seus estágios pré-clínicos

Categorias Jejum* 2 hrs após 75 gr de glicose Casual**
Glicemia de jejum alterada > 110 e < 126 < 140 (se realizada)  
Tolerância à glicose diminuída < 126 e >= 140 e < 200  
Diabetes Mellitus >= 126 ou >= 200 ou >= 200 (com sintomas clássicos***)

* O jejum é definido como a falta de ingestão calórica por no mínimo 8 horas.
** Glicemia plasmática casual é definida como aquela realizada a qualquer hora do dia, sem observar o intervalo da última refeição
*** Os sintomas clássicos de DM incluem poliúria, polidipsia e perda inexplicada de peso

DIAGNÓSTICO PRECOCE

O diagnóstico de DM deve ser sempre confirmado pela repetição do teste em outro dia, a menos que haja hiperglicemia inequívoca com descompensação metabólica aguda ou sintomas óbvios de DM.

Diagnóstico precoce e rastreamento seletivo
A cada 3 a 5 anos Indivíduos com 45 anos de idade ou mais
A cada 1 a 3 anos, ou antes de 45 anos, ou rastreamento com TTG com 75 g de glicose 2 ou mais componentes da síndrome pluri-metabólica (obesidade, HDL-c baixo, triglicérides altos, hipertensão e doença cardiovascular. Idade superior à 45 anos, >2 fatores de risco. DM gestacional prévio
Anualmente Glicemia de jejum alterada ou tolerância à glicose diminuída, complicações presentes, hipertensão arterial e doença coronariana


FATORES DE RISCO PARA O DIABETES MELLITUS

Idade >= 45 anos História familiar de DM (pais, filhos e irmãos).
Excesso de peso (IMC> ou = 25 Kgm2) Sedentarismo
HDL-colesterol baixo ou triglicérides elevados Hipertensão arterial
Doença coronariana DM gestacional prévio
Macrossomia ou história de abortos de repetição ou mortalidade perinatal Uso de medicamento hiperglicemiante (por exemplo, corticosteróides, tiazídicos, betabloqueadores).

TRATAMENTO DO DIABETES MELLITUS

PRINCÍPIOS GERAIS
Educação
Modificação do estilo de vida Suspensão do fumo
Aumento da atividade física
Reorganização dos hábitos alimentares
Tratamento Medicamentos

OBJETIVOS DO TRATAMENTO DO DM TIPO II

Quanto ao controle glicêmico, deve-se procurar atingir valores os mais próximos do normal. Como muitas vezes não é possível, aceitam-se, nesses casos, valores de glicose plasmática em jejum até 126 mg/dl e de duas horas pós-prandial até 160 mg/dl e de níveis de glico-hemoglobina até um ponto percentual acima do limite superior do método utilizado. Acima desses valores, é sempre necessário realizar intervenção para melhorar o controle metabólico.

EDUCAÇÃO ALIMENTAR



O plano alimentar deverá:

01. visar o controle metabólico (glicose e lípides plasmáticos), o controle pressórico e a prevenção de complicações
02. ser nutricionalmente adequado, com dieta saudável e equilibrada. Evitar dietas restritivas
03. ser individualizado, atendendo às necessidades de acordo com a idade, sexo, estado fisiológico, estado metabólico, atividade física, doenças intercorrentes, hábitos sócio-culturais, situação econômica, disponibilidade de alimentos, etc.
04. fornecer valor calórico total (VCT) compatível com a obtenção e/ou manutenção do peso corpóreo desejável.

COMPOSIÇÃO DO PLANO ALIMENTAR

COMPOSIÇÃO DO PLANO ALIMENTAR
CARBOIDRATOS 50% - 60% do VCT Dependendo do índice de massa corporal, idade e atividade física

6 a 11 porções

Uma porção = 1 fatia de pão de forma, ou ½ pão francês, ou uma escumadeira de arroz, ou uma batata média, ou ½ concha de feijão

GORDURAS < 30% do VCT Evitar alimentos gordurosos em geral

Gorduras saturadas < 10% do VCT

PROTEÍNAS 0,8 a 1,0 g/kg de peso desejado por dia Evitar excessos protéicos
  • 02 porções pequenas de carne ou, duas porções de leguminosas ou, ovos (até 2 gemas/semana).
  • e 2 a 3 porções de leite desnatado ou queijo magro 
FIBRAS
VITAMINAS
MINERAIS
Dieta rica
  • 2 a 4 porções de frutas
  • e 3 a 5 porções de hortaliças
RECOMENDAÇÕES
COMPLEMENTARES
  Várias refeições ao dia.
Consumo moderado de bebidas alcoólicas.
Cuidado com os alimentos diet e lights.
Recomenda-se uso de adoçantes


TRATAMENTO MEDICAMENTOSO DO DIABETES MELLITUS

Tratamento da hiperglicemia
- Insulina
- Antidiabéticos orais

Tratamento da hipertensão arterial
- Diuréticos
- Betabloqueadores (cardioseletivos)
- Inibidores da enzima conversora da angiotensina
- Antagonistas dos receptores da angiotensina
- Antagonistas dos canais de cálcio

Tratamento da dislipidemia
- Estatinas (ou vastatinas)
- Fibratos

Uso da aspirina
- Em pacientes com complicações vasculares
- Na prevenção primária em pacientes com um ou mais fatores de risco cardiovascular

Tratamento da obesidade
- Redutores do apetite: noradrenérgicos
- Indutores da saciedade: serotoninérgicos
- Inibidores da absorção intestinal de gorduras